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terça-feira, 30 de março de 2010

Armando Nogueira 1927 - 2010

Nos deixou ontem aos 83 anos o Jornalista Armarmando Nogueira e esse Blog o homenageia com o texto abaixo.

México 70
Armando Nogueira

México 70 - E as palavras, eu que vivo delas, onde estão? Onde estão as palavras para contar a vocês e a mim mesmo que Tostão está morrendo asfixiado nos braços da multidão em transe? Parece um linchamento: Tostão deitado na grama, cem mãos a saqueá-lo. Levam-lhe a camisa levam-lhe os calções. Sei que é total a alucinação nos quatro cantos do estádio, mas só tenho olhos para a cena insólita: há muito que arrancaram as chuteiras de Tostão. Só falta, agora, alguém tomar-lhe a sunga azul, derradeira peça sobre o corpo de um semi-deus.

Mas, felizmente, a cautela e o sangue-frio vencem sempre: venceram, com o Brasil, o Mundial de 70, e venceram, também, na hora em que o desvario pretendia deixar Tostão completamente nu aos olhos de cem mil espectadores e de setecentos milhões de telespectadores do mundo inteiro.

E lá se vai Tostão, correndo pelo campo afora, coberto de glórias, coberto de lágrimas, atropelado por uma pequena multidão. Essa gente, que está ali por amor, vai acabar sufocando Tostão. Se a polícia não entra em campo para protegê-lo, coitado dele. Coitado, também, de Pelé, pendurado em mil pescoços e com um sombrero imenso, nu da cintura para cima, carregado por todos os lados ao sabor da paixão coletiva.

O campo do Azteca, nesse momento, é um manicômio: mexicanos e brasileiros, com bandeiras enormes, engalfinham-se num estranho esbanjamento de alegria.

Agora, quase não posso ver o campo lá embaixo: chove papel colorido em todo o estádio. Esse estádio que foi feito para uma festa de final: sua arquitetura põe o povo dentro do campo, criando um clima de intimidade que o futebol, aqui, no Azteca, toma emprestado à corrida de touros.

Cantemos, amigos, a fiesta brava, cantemos agora, mesmo em lágrimas, os derradeiros instantes do mais bonito Mundial que meus olhos jamais sonharam ver. Pela correção dos atletas, que jogaram trinta e duas partidas, sem uma só expulsão. Pelo respeito com que cerca de trezentos profissionais de futebol se enfrentaram, músculo a músculo, coração a coração, trocando camisas, trocando consolo, trocando destinos que hão de se encontrar, novamente, em Munique 74.

Choremos a alegria de uma campanha admirável em que o Brasil fez futebol de fantasia, fazendo amigos. Fazendo irmãos em todos os continentes.

Orgulha-me ver que o futebol, nossa vida, é o mais vibrante universo de paz que o homem é capaz de iluminar com uma bola, seu brinquedo fascinante. Trinta e duas batalhas, nenhuma baixa. Dezesseis países em luta ardente, durante vinte e um dias — ninguém morreu. Não há bandeiras de luto no mastro dos heróis do futebol.

Por isso, recebam, amanhã, os heróis do Mundial de 70 com a ternura que acolhe em casa os meninos que voltam do pátio, onde brincavam. Perdoem-me o arrebatamento que me faz sonegar-lhes a análise fria do jogo. Mas final é assim mesmo: as táticas cedem vez aos rasgos do coração. Tenho uma vida profissional cheia de finais e, em nenhuma delas, falou-se de estratégias. Final é sublimação, final é pirâmide humana atrás do gol a delirar com a cabeçada de Pelé, com o chute de Gérson e com o gesto bravo de Jairzinho, levando nas pernas a bola do terceiro gol. Final é antes do jogo, depois do jogo — nunca durante o jogo.

Que humanidade, senão a do esporte, seria capaz de construir, sobre a abstração de um gol, a cerimônia a que assisto, neste instante, querendo chorar, querendo gritar? Os campeões mundiais em volta olímpica, a beijar a tacinha, filha adotiva de todos nós, brasileiros? Ternamente, o capitão Carlos Alberto cola o corpinho dela no seu rosto fatigado: conquistou-a para sempre, conquistou-a por ti, adorável peladeiro do Aterro do Flamengo. A tacinha, agora, é tua, amiguinho, que mataste tantas aulas de junho para baixar, em espírito, no Jalisco de Guadalajara.

Sorve nela, amiguinho, a glória de Pelé, que tem a fragrância da nossa infância.

A taça de ouro é eternamente tua, amiguinho.

Até que os deuses do futebol inventem outra.


Armando Nogueira é um estilista, na medida em que escreve sobre futebol a partir de uma consciência artesanal que envolve suas crônicas de um grau de literaridade tal, que elas, hoje, constituem páginas realmente literárias com toda a força imagística, poética, carga épica e dramática, que costumam envolver tais criações. Tem dois livros lançados, "Bola na rede", e "A chama que não se apaga", sobre as cinco olimpíadas que cobriu como jornalista. Hoje colabora com diversos jornais, que publicam suas crônicas esportivas, e mantêm programa em um emissora de televisão.

Texto extraído do livro "O melhor da crônica brasileira", José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1997, pág. 26.

quarta-feira, 24 de março de 2010

A "ESQUADRA FLINT"!

            
1. Beatriz Sarlo, ensaísta argentina, ensina que "o presente não é um momento único, mas responde a formações de média e longa duração. O presente se vive com paixões políticas, que o historiador não aceita sem que medeiem filtros teóricos e de método. Não somos historiadores de nosso presente, porque é impossível sê-lo" ("Clarín", 11/2).
            
2.  Quem diz que está fazendo história, o que faz é se olhar no espelho. As relações entre os países americanos vêm desde as guerras de independência, que nos países hispânicos tomaram como referência a República construída nos EUA. No Brasil, da mesma forma, na superação do Império. No final do século 19, o debate político nos EUA centrou-se nas relações comerciais externas e em torno da política tarifária e acordos de reciprocidade.
            
3.  Em 1889-90, realizou-se nos EUA a primeira Conferência Pan-Americana, matriz da futura OEA. Nela discutiram-se os acordos de reciprocidade. O primeiro deles é negociado com o Brasil, entre o ministro James Blaine e o representante brasileiro, depois cônsul, Salvador de Mendonça: o acordo Blaine-Mendonça.
            
4.  A disputa do mercado brasileiro entre os EUA e a Europa culminou com o apoio europeu à Revolta da Armada, tentativa de golpe da Marinha, liderada pelo almirante Custódio de Melo, e depois o almirante Saldanha da Gama. Objetivo: derrubar o presidente Floriano Peixoto.
A baía da Guanabara foi ocupada pela presença ostensiva de navios de guerra europeus, em apoio aos da Marinha brasileira e com saudades da monarquia.
            
5. Floriano, nacionalista e industrialista, avesso ao acordo Blaine-Mendonça, terminou pragmaticamente cedendo, na busca de apoio militar dos EUA, que se deu com cinco navios de guerra. A estes se somou uma esquadra particular de navios de guerra (depois comprada pelo Brasil), construída pelo empresário norte-americano Charles Flint.
            
6. A "Esquadra Flint" chega ao Rio dando demonstração de força. O navio-chefe da Marinha dos EUA alertou com dois canhonaços, que levaram ao recuo e exílio de Saldanha da Gama. Dez anos depois, o embaixador Joaquim Nabuco (1905-10) acentuou a parceria preferencial com os EUA em outra Conferência Pan-Americana.
            
7. Este desenho da geopolítica continental completa 120 anos. A Argentina até hoje reclama. Mas agora, em 2010, o Grupo Rio criou mais um clube e excluiu os EUA. O governo "sub-15" do Brasil entrou nesta como já tinha entrado no caso de Honduras. Acha que está fazendo história. O que está mesmo é aquecendo a política chavista. E estimulando as relações bilaterais dos EUA com os países do continente, que já chegam a 60% deles.

UPP NO MORRO DA PROVIDÊNCIA: UMA DECISÃO ACERTADÍSSIMA!

              
1. A secretaria de segurança -RJ decidiu que a próxima UPP será instalada no Morro da Providência. Essa é uma decisão correta. O Morro da Providência é a marca histórica das Favelas. Pelo nome, adotado pelos soldados, enganados, que receberiam casas em seu retorno e foram deixados no Morro. Adotaram como nome -Morro da Favela- o do arbusto com que conviviam em frente a Canudos. Antes, quando do desmonte do grande cortiço do Rio, Cabeça de Porco, em que os moradores, enganados, só tiveram uma solução: subir o morro.
              
2. Na revolta da vacina, Preto Prata, marginal que morava no Morro, encontrou uma tubulação igual a uma boca de canhão. Colocou lá em cima e disse que bombardearia a cidade. Foi declarado estado de sítio e tropas chamadas para o Rio. Prenderam Preto Prata, muito alto e muito forte, tendo que usar vários homens. E então os militares descobriram que era um blefe.
              
3. O Morro da Providência recebeu um projeto especial do Favela-Bairro. Especial porque, além de todo o processo de urbanização, saneamento, área esportiva, creche, cyber-café..., recebeu um tratamento de eco-museu, por sua história, a capela e a igreja centenárias e mirantes para que sua história fosse contada se vendo o entorno.
              
4. Embaixo do Morro da Providência a prefeitura do Rio construiu uma Vila Olímpica, que além de todos os esportes, ainda é um centro esportivo inclusivo para portadores de deficiência. E ao lado, a Cidade do Samba, o maior e mais qualificado centro de cultura popular do mundo todo, focalizado nas escolas de samba, numa região que é berço do samba com a memória das tias baianas como Ciata, Bibiana, Mônica, Perciliana, na mesma Pedra do Sal onde  grandes sambistas do passado, como Donga, João da Baiana, Pixinguinha e Heitor dos Prazeres se reuniam.
             
5. Ao lado do Morro da Providência há um edifício, por anos ocupado por traficantes. A PM do Rio os expulsou anos atrás e a prefeitura do Rio reformou-o completamente. Passaram a usar o prédio a própria PM e serviços sociais da prefeitura direcionados aos moradores do Morro. Em seguida a PM instalou no Morro um GPAE, terceira etapa das experiências de ocupação de morros tomados por traficantes.
             
6. A diferença do GPAE para a UPP é que o objetivo daquela era a 'paz', no sentido de eliminar confrontos entre facções, sem ter a venda de drogas como foco. A UPP, acertadamente, inclui a retirada da venda de drogas no local como um de seus objetivos, e é a quarta etapa. A secretaria municipal de assistência social e a PM, via GPAE, realizaram um trabalho integrador, com os desdobramentos urbanos, esportivos, sociais e econômicos do Favela-Bairro, da Vila Olímpica da Gamboa e da Cidade do Samba.
            
7. Os bares de entorno começaram a ser frequentados com rodas de samba na direção de mais um point do Rio, como a Lapa. A presença da UPP acelerará o amadurecimento deste point. A tentativa da Prefeitura de assumir o cemitério dos ingleses, ao lado, não foi entendida por seus controladores. É o primeiro cemitério que, com a chegada de D. João VI, permitiu o enterro de protestantes. Ali estão os corpos de marinheiros ingleses vitimados pela febre amarela e a família Mocke, holandesa, segunda grande produtora de café no Brasil. Sua recuperação seria um elemento de interesse patrimonial, histórico e turístico, assim como o será a história do Morro da Providência.
            
8. Com tudo isso, se tem todas as condições de se concluir esse processo integrador, com os equipamentos existentes renovados ou construídos e com a vontade de seus moradores. Dôdô, porta-bandeira da Portela e primeira campeã oficial em 1935, mora ali, e sua casa foi transformada em um museu com suas fantasias e bandeiras que portou por décadas.  A designação do capitão-PM-comandante da GPAE dali, é outra decisão acertada, pois permitirá partir da memória do que se fez e avançar ainda mais.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Parabéns, Zico! O ídolo da Nação Rubro-Negra - Maior expoente da História do Fla completa hoje 57 anos

Os rubro-negros mais fanáticos consideram o dia 3 de março como o “Natal do Flamengo”. Talvez pareça exagero, mas essa é a exata representatividade do ídolo Zico para a grande maioria dos torcedores do clube da Gávea. Nesta quarta-feira, o Galinho de Quintino completa 57 anos de idade, mas as mágicas tardes de domingo, no Maracanã, permanecem vivas na memória dos rubro-negros e amantes do futebol que tiveram o privilégio de tê-lo visto jogar.
– Compará-lo a Jesus Cristo é uma das brincadeiras que foram incorporadas ao cotidiano. Não vamos misturar crença com futebol, mas é válida por mostrar a idolatria que a torcida do Flamengo tem por ele – afirmou o Jornalista  Roberto Assaf, autor da biografia, “Zico, 50 anos de futebol”, ao lado de Roger Garcia, publicada em 2003.

Data marcante
Autor de belos gols e peça fundamental dos principais títulos conquistados pelo Flamengo, talvez Zico seja mais lembrado do que algumas datas importantíssimas do clube, como 13 de dezembro, dia em que o Rubro-Negro conquistou o título mundial, em 1981, ou até 27 de maio, quando o sérvio Petkovic marcou o gol de falta que deu ao clube o quarto tricampeonato da sua História, em 2001, e sobre o Vasco.
– Na verdade, as pessoas não têm muita memória para data, mas o aniversário do Zico os torcedores sempre lembram por sua relevância histórica – encerrou Assaf.

Zico e o Flamengo
Jogos
O Galinho de Quintino disputou 732 jogos com a camisa rubro-negra e fez sua última partida pelo clube no dia 6 de fevereiro de 1990.

Gols
Zico marcou 508 gols pelo Flamengo. Ele é o maior artilheiro da História do clube. Seu último gol foi marcado no dia 2 de dezembro de 1989, na goleada de 5 a 0 sobre o Fluminense.

Principais títulos
Mundial Interclubes (1981), Libertadores (1981), Campeonato Brasileiro (1980, 1982, 1983 e 1987), Taça Guanabara (1972, 1973, 1978, 1979, 1980, 1981, 1982, 1988 e 1989), Campeonato Estadual (1972, 1974, 1978, 1979, 1979 (especial), 1981 e 1986).