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terça-feira, 14 de agosto de 2012

14 de agosto 1956: A morte do poeta e dramaturgo alemão Bertold Brecht

 

Bertolt Brecht. Reprodução

"Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem". Bertolt Brecht

Dois anos depois de iniciar a publicação de suas obras completas, o escritor e diretor de teatro alemão, Bertholt Brecht, 58 anos , morreu vítima de um ataque cardíaco, em Berlim.

Outras efemérides de 14 de agosto
1941: Assinada a Carta do Atlântico
1945: O Japão se rende na II Guerra Mundial
1983: Morre Alceu de Amoroso Lima, o Tristão de Athayde
1994: Chacal é preso no Sudão

A biografia de Bertolt Brecht, nascido no dia 10 de fevereiro de 1898 em Augsburg, na Baviera, se confunde com a própria história política e social de seu tempo e é a fonte inspiradora de uma estética cênica que vai buscar na compreensão da vida e na forma de transformá-la a maneira de colocá-la em discussão no palco. Desde a primeira peça, Baal (1918), escrita quando ainda era estudante e o Império Alemão desmoronava com o final da sangrenta guerra mundial, dando lugar à frágil República de Weimar que não resistiria, anos mais tarde, à catástrofe econômica e à ascensão do nazismo, Brecht vai construindo instrumentos para deixar que sua advertência de que "o espectador deve desconfiar do teatro" seja compreendida através de um método que reavalia a função do teatro e o alcance de seu poder de transformação.

"Nos nossos dias, quando consideramos o homem como um conjunto de todas as condições sociais, a forma épica é a única que pode usar todos os processos capazes de fornecer à arte dramática a matéria para uma concepção vasta e compreensível do universo".Bertolt Brecht


Então, impregnado de um expressionismo quase niilista, encontra o indivíduo no ponto de desagregação com o social, tanto no anarquismo de Baal, quanto na perda de identidade de Galy Gay, o soldado de Um homem é um homem (1926). Já é o ensaio da desmontagem do indivíduo abandonando qualquer diálogo subjetivo, quando abraça as teorias socialistas e começa a elaborar sua teoria do teatro épico, capaz de ultrapassar pelo comentário o caráter pessoal do personagem e buscar revelar as forças objetivas da sociedade.

No início dos anos 30, com a chegada de Hitler ao poder, exila-se em alguns países da Europa, até chegar aos Estados Unidos, para uma estada frustrada na indústria do cinema de Hollywood. É quando sistematiza sua teoria de teatro épico, a que considera teatro moderno. Seis anos mais tarde, acusado de atividades contra o governo americano, volta para a Alemanha Oriental e cria sua própria companhia, a Berliner Ensemble (1949), e mantendo seu propósito, faz dela o templo de suas experimentações.

A obra teatral de Brecht divide-se em períodos que correspondem aos locais em que viveu. Na primeira fase, época da Baviera, destacam-se Tambores na Noite (1922) e Na Selva das Cidades (1924). A segunda fase corresponde ao tempo que morou em Berlim e duas peças teatrais sobressaem: Um Homem é um Homem (1926) e A Ópera dos Três Vinténs (1928). O terceiro período brechtiano é o do exílio. As peças mais conhecidas são Terror e Miséria do Terceiro Reich (1938), sobre a violência nazista, e Os Fuzis da Sra. Carrar(1937), obra sobre a Guerra Civil Espanhola. No período final, nos Estados Unidos e na volta a Berlim, Brecht produziu somente uma peça, O Círculo do Giz Caucasiano(1948).

Revisitando Brecht, surge um poeta, de produção refinada e rigor formal, contraditório, criador de espetáculo que foi fundo nos mecanismos da sua elaboração e que empregou a razão para experimentar seus limites. Uma das presenças dominantes da cena teatral de um tempo em que o teatro avançou na sua linguagem, trazendo para si a crescente complexidade dos conflitos humanos, Brecht foi um de seus intérpretes mais inconformados e provocadores.

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