Junho é mês de solstício, do latim “sol estático”. É o momento do ano em que o Sol, em seu movimento aparente, apresenta um afastamento máximo em relação ao Equador Celeste. Como em junho este afastamento se dá para o Norte, esse solstício marca o início do nosso inverno (e do verão boreal).
O solstício de dezembro, logicamente, acontece quando o Sol atinge seu afastamento máximo para o Sul e, portanto, denuncia o início do nosso verão, e do inverno no hemisfério Norte.
Esse movimento aparente do Sol (um reflexo do real movimento da Terra) é conhecido pela humanidade há muito tempo, desde as mais antigas civilizações. E por se tratarem de momentos importantes do ano — a noite mais longa, no caso do solstício de inverno, ou a mais curta, no de verão —, os solstícios sempre foram comemorados com certo fervor. As festas pagãs incluíam fogueiras, ora para espantar o frio (no inverno), ora para celebrar o calor (no verão). Em algumas culturas, havia até o sacrifício de animais e seres humanos.
O surgimento da Igreja Cristã e sua conseqüente disseminação pelo mundo não inibiram esses rituais antigos. Na verdade, eles acabaram sendo incorporados pela Igreja de Cristo (sem os sacrifícios, é claro). No início do inverno do hemisfério Norte (dezembro), quando era comemorada a festa do Sol invencível, a Igreja passou a celebrar o nascimento do Salvador. O Natal, até hoje, é celebrado em 25 de dezembro (muito próximo da data do solstício).
Já o solstício de verão (nosso inverno) foi identificado com o nascimento de São João Batista. De fato, São João Batista é considerado o “precursor da luz do mundo”, tendo nascido seis meses antes de Jesus. O dia de São João Batista é comemorado em 24 de junho, muito próximo da data do solstício (neste ano, o solstício será no dia 21 de junho).
As fogueiras, que já eram usadas nas celebrações de povos tão distintos como celtas e egípcios, também foram incorporadas à tradição cristã. Segundo a história católica, Santa Isabel (mãe de João) anunciou o nascimento de seu filho através de uma grande fogueira.
A grande festa em homenagem ao solstício, ao longo dos séculos de história, transformou-se em festa de São João, “festa joanina”. Logo as celebrações se estenderam para homenagear Santo Antônio (13/6) e São Pedro (29/6), tornando-se coletivamente conhecidas como as “festas de junho”, ou festas juninas.
Viva São João! E viva o solstício!
Fonte: Fundação Planetário do Rio de Janeiro - www.rio.rj.gov.br/planetario

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