1. Em 1890 ocorreu a primeira conferência Pan-Americana. Na época, discutia-se a política externa dos EUA e a proposta que avançava - liderada pelo secretário Blaine- era do acordo de reciprocidade com os países das Américas. O cônsul brasileiro concordou com a proposta que ficou conhecida como Acordo Blaine Mendonça. Nesse momento ocorria a transição da Monarquia à República no Brasil, e a crise do governo Deodoro. Assinado o Acordo nos EUA, sua efetivação dependia da ratificação pelo presidente da República.
2. O conflito básico era entre EUA e Europa em relação aos mercados americanos. EUA haviam entrado do lado errado no Chile, na Guerra do Pacífico -1880- e na guerra civil entre o presidente Balmaceda com o exército e o Parlamento com a Marinha, finalmente vencida pelo Parlamento. Portanto, a abordagem ao governo brasileiro foi feita com cuidado.
3. A ascensão de Floriano Peixoto e em seguida a Revolta da Armada, abriu caminho para o estreitamento dessas relações. Floriano, nacionalista e industrialista, a princípio teria dificuldades para aceitar o Acordo. Mas os países europeus apoiavam os almirantes rebeldes. A frota controlava a Baía da Guanabara e em janeiro de 1894 começou a bombardear o Rio depois de Niterói. O Estado do Rio mudou a capital para Petrópolis e 100 mil pessoas saíram da cidade.
4. Os EUA resolveram intervir em apoio a Floriano para reabrir o comércio externo na Baía da Guanabara. Enviou frota com seis navios de guerra e depois de receber tiro de advertência, atirou para acertar partes secundárias do principal navio da frota brasileira. Simultaneamente foi constituída nos EUA uma frota privada, transformando navios de carga e de passageiros, em navios de guerra, para dar sustentação à ação. Com isso, a mobilização do exército e da nova marinha de Floriano, no sul onde Paraná e Santa Catarina estavam tomados pelos rebeldes (que se somaram ao bloco monarquista no Rio Grande do Sul na revolução Federalista), terminou controlando a revolta. O governo Floriano voltou a ter centralidade e autoridade sobre todo o país.
5. O Acordo Blaine-Mendonça foi assinado, abrindo um ciclo de relações convergentes entre Brasil e EUA. Alguns anos depois, Joaquim Nabuco (promotor da segunda Conferência Pan-americana) intensificou esta linha de parceria. Nos anos 1930 e 1940 a posição da Argentina em relação aos países do Eixo determinou que Roosevelt decidisse intensificar a parceria com o Brasil, especialmente, militar.
6. São 120 anos nesta parceria Brasil-EUA. No episódio de Honduras esta política foi atropelada, muito provavelmente por ignorância. O governo brasileiro poderia até querer rever esta linha de 120 anos, mas escolheu o alvo errado. Honduras foi o único país centro-mesoamericano onde as guerrilhas dos anos 1970 e 1980 não prosperaram. Nos anos 1980 os EUA instalaram ali a base aérea de Palmerola e ao lado, a Escola da Força Aérea hondurenha. Aí está a maior e melhor pista de aviação da região.
7. Essa trapalhada diplomática gerou um discreto estremecimento entre EUA e Brasil, na medida em que sem consultar seu parceiro, o Brasil entrou numa região de influência dos EUA. Que, aliás -afiançando esta parceria- tem deixado o Brasil à vontade na América do Sul e África ocidental. Uma trapalhada que deve ser corrigida em encontros bilaterais discretos. Urgente para que o desgaste não cristalize!

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