Pesquisar este blog

Powered By Blogger

segunda-feira, 9 de julho de 2012

1980 - Vinicius, o poeta da paixão

 Ana Paula Amorim

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 10 de julho de 1980
O poeta e compositor Vinicius de Moraes morreu aos 66 anos. Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes, o homem, o poeta, o boêmio, o letrista, o diplomata, o cronista, o amigo, o personagem, o eterno apaixonado. Quando menino transformava em poesia páginas inspiradas do Tesouro da Juventude. Uma poesia sempre impregnada de música. Cresceu habituado aos saraus de fim de semana, o pai recitando versos de Bilac e dedilhando o violão, a mãe tocando ao piano tangos e valsas românticas. Vinicius nasceu na Gávea, a 19 de outubro de 1913. Mas foi na Ilha do Governador, para onde a família se mudou, que nasceram o poeta e o eterno apaixonado. 

Do Colégio Santo Inácio vieram os primeiros amigos boêmios, as primeiras namoradas mais sérias e a permanente presença da música e da poesia em sua vida. Colheu experiência em outras terras, estudou literatura inglesa em Oxford. Depois do curso de direito entrou na carreira diplomática. Desta experiência de quase três décadas, guardou as amizades, a oportunidade de viajar e conhecer o mundo, travar contatos valiosos para a sua formação de poeta e ser humano, no fundo uma coisa só. Em 1956, depois de concluir a peça Orfeu da Conceição, precisava de um compositor para musicar seus poemas. Lucio Rangel apresentou-o a Tom Jobim. Deste encontro nasceu uma grande amizade e uma parceria que mudaria os rumos da música popular brasileira. Como no soneto, onde amores não são eternos mas infinitos, casou-se nove vezes. 
Jornal do Brasil: Quinta-feira, 10 de julho de 1980


"Numa perspectiva humana, ele é o único poeta brasileiro que ousou viver segundo o signo da paixão. Vale dizer, da poesia, em estado natural". (Carlos Drummond de Andrade).


Se todos fossem iguais a você

foto: CPDoc JB
O poetinha, como ficou conhecido, cercou-se ao longo da sua carreira de inúmeros parceiros. Às 4 e meia da manhã, com Toquinho, Vinicius terminava mais um trabalho. Foi dormir e às 6h sentiu-se mal. Abriram-se as portas do Céu. Sua morte pegou de surpresa representantes de todos os setores artísticos e culturais, os quais, emocionados, ressaltavam que mais do que um grande poeta e um grande artista, Vinícius de Moraes foi um ser humano excepcional.

Debaixo de um céu azul e rosa, o poeta foi sepultado ao som de Garota de Ipanema, Se Todos Fossem Iguais a Você e A Felicidade. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário