Usuários podem decidir como Facebook usará seus dados
Cadastrados podem votar até a próxima segunda-feira na rede social

Escritório do Facebook no Brasil, localizado no bairro Itaim Bibi, em São Paulo
Quatro dias após ser alvo de críticas por promover mudanças na política de uso de dados dos usuários, o Facebook recuou. Na noite desta segunda-feira, a rede social abriu um novoespaço de votação para definir como o serviço poderá usar as informações dos mais de 1 bilhão de cadastrados. Para ser válida, a consulta precisa contar com a participação de mais de 300 milhões de votos até as 18h (horário de Brasília) da próxima segunda-feira. Os usuários devem optar por uma das duas políticas de uso de dados: a atual ou a proposta pelo Facebook. Se a maioria dos participantes escolher manter o modelo vigente, a empresa sofrerá um de seus maiores reveses, perdendo a oportunidade de combinar dados privados provenientes da rede e de outros serviços de sua propriedade, como o Instagram.
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A proposta de mudança na política de privacidade da rede social, cujo prazo para discussão foi encerrado no último dia 28, pretende introduzir sutis modificações em duas áreas que regem o funcionamento do site: a declaração de direitos e responsabilidades (DDR) e a documentação que trata do uso de dados dos cadastrados.
No documento relativo à DDR, a companhia prevê a eliminação das votações em que os usuários analisam propostas de mudanças apresentadas pelo site, suprimindo quatro dos seis itens presentes no artigo 14. De acordo com a companhia, o modelo, introduzido em 2009, não obteve sucesso. De fato, a última consulta do tipo, realizada em junho, atraiu pouco mais de 340.000 usuários – 0,038% da base de usuários da rede à época, ou quase nada. A solução, segundo a companhia, foi deixar em aberto apenas espaços de comentários. Não ficou claro, contudo, se esses comentários teriam força suficiente para mudar alguma coisa.
A proposta provocou gritaria virtual. A Electronic Privacy Information Center (Epic), organização sem fins lucrativos cuja missão é proteger os direitos de privacidade dos usuários na internet, enviou uma carta endereçada ao CEO e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, exigindo o retorno dos itens suprimidos do artigo 14. Queria, assim, a volta das consultas aos usuários.
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A companhia cedeu, abrindo espaço para perguntas-e-respostas e, assim, mostrar quais são suas intenções: “Nossa meta ao modificar o processo de governança do nosso site é nos certificar de que seus comentários sejam recebidos da melhor e mais produtiva forma possível e assim respondidos”, explica o texto. “Muitos de vocês nos enviaram ideias sobre como podemos continuar atingindo nosso objetivo. Nós concordamos e iremos incorporar suas sugestões, criando novas ferramentas para aprimorar a comunicação sobre privacidade e governança no Facebook.”
Se o Facebook sair derrotado da consulta, pode perder a oportunidade de potencializar a receita obtida com anúncios, o que seria alcançado a partir da combinação de dados de usuários provenientes de todas as suas plataformas. Em março, o Google utilizou a mesma estratégia ao unificar os termos de uso de mais de 60 produtos da companhia. Com isso, Gmail, YouTube e Google Maps, entre outros, passaram a obedecer um único conjunto de regras. A diferença é que a medida foi imposta aos usuários. Agora, os adeptos do Facebook têm a chance de decidir. Em pouco mais de um dia, quase 60.000 pessoas já participaram da votação: 91% querem a manutenção dos termos de uso.
-> Link para votar: https://apps.facebook.com/fbsitegovernance/










































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