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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

30 de novembro de 1980: Cartola, um vazio se fez no samba

Jornal do Brasil: 1º de dezembro de 1980 - Capa do Caderno B

"Ainda é cedo, amor.
 
Mal começaste
 
a conhecer a vida.
 
Já anuncias
 
a hora da partida,
 
sem saber mesmo
 
o rumo que irás tomar..."
 
Cartola


O mundo do samba silenciou-se. Angenor de Oliveira, o Cartola, morreu aos 72 anos, em decorrência de um câncer, doença contra a qual lutara nos últimos anos. Ao seu lado até o fim, estava sua companheira, Dona Zica.

Carioca do Catete, torcedor do tricolor das Laranjeiras, foi no Morro da Mangueira que Cartola viveu intensamente. Nem mesmo a dura rotina, trabalhando desde cedo como pedreiro e fazendo bicos para ganhar a vida, trouxe aspereza aos seus sentimentos ou inibiu o seu poder de criação. Ainda menino entrou para o mundo da música que o revelaria, mais tarde, como compositor e intérprete de grande sensibilidade e expressão. Fundador da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, para ela escolheu o nome e as cores verde e rosa.
 
Em uma de suas últimas entrevistas, declarou que gostaria de ser lembrado por três composições, que julgava as mais importantes em sua obra: As rosas não falam, O mundo é um moinho e O inverno do meu tempo".

Modesto desejo para quem se apaixonou pelo samba, fazendo dele o mensageiro de sua alma delicada. A riqueza musical de Cartola foi uma constante em seu mais de meio século de carreira, como versa o seu último samba: "... tudo é belo por onde passei..."

Assista abaixo a versão em vídeo:



No moinho do mundo
Para homenagear Cartola, Carlos Drummond de Andrade escreveu, no Jornal do Brasil, a crônica "No moinho do mundo": a história do homem simples que encantou por seu jeito de lidar com as situações da vida.

Cartola leu a homenagem no hospital e pediu que fixassem o jornal na parede de seu leito. A crônica foi publicada três dias antes de sua morte.

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