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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ferramentas de pedra encontradas na África mostram criatividade entre humanos primitivos

Ferramentas de pedra encontradas na África mostram criatividade entre humanos primitivos                   
Num abrigo de pedra na costa da África do Sul, cientistas encontraram uma série de avançadas ferramentas de pedra que contam parte da história da evolução da mente dos humanos primitivos há ao menos 71.000 anos.
Num abrigo de pedra na costa da África do Sul, cientistas encontraram uma série de avançadas ferramentas de pedra que contam parte da história da evolução da mente dos humanos primitivos há ao menos 71.000 anos.
A descoberta, apresentada na atual edição da revista Nature, dá peso à hipótese de que a África não foi o apenas o berço do Homo sapiens anatomicamente moderno, mas também da capacidade cognitiva de pensamento abstrato e criativo, além da concepção de tecnologias cada vez mais complexas associadas aos comportamentos modernos da humanidade.
O estudo descreve ferramentas de pedra chamadas de micrólitos, finas lâminas com apenas 2,5 centímetros de comprimento, que poderiam ser presas a hastes de madeira ou osso. Esses projéteis pontiagudos faziam parte de flechas lançadas com arcos ou, mais provavelmente, de dardos lançados com propulsores compostos por extensões de madeira utilizadas como alavancas para alcançar maiores velocidades e distâncias. Segundo os pesquisadores, essa tecnologia pode ter sido fundamental para o sucesso do Homo sapiens quando os seres humanos deixaram a África e entraram na Eurásia há cerca de 50.000 anos, encontrando Neandertais que se limitavam a atirar lanças simples.
As novas evidências parecem responder às críticas de alguns especialistas que afirmam que os antigos comportamentos humanos na África seriam isolados e de curta duração – um padrão "intermitente" de experimentação com pouca ou nenhuma continuidade ao longo do tempo e através das regiões. Entretanto, escavações de abrigos de pedra em Pinnacle Point, perto de Mossel Bay, a leste da Cidade do Cabo, mostram que a tecnologia das microlâminas durou mais de 11.000 anos, até cerca de 60.000 anos atrás. O estudo indica que a tecnologia também "costumava ser utilizada lado a lado com o tratamento a quente", um processo que dá forma a lâminas afiadas e duráveis e que existiu por quase 100.000 anos.
No artigo da revista Nature, os pesquisadores concluem que "os seres humanos primitivos da África do Sul possuíam a cognição necessária para desenvolver e transferir com grande precisão ambas as tecnologias".
In an undated handout photo, a reproduction of microlith-backed blade technique. Hunting tools from 71,000 years ago found in South Africa suggest modern humans with a well-developed capacity for abstract and creative thought and a grasp of complex technologies, a new study argues. (Benjamin Schoville via The New York Times) -- NO SALES; FOR EDITORIAL USE ONLY WITH STORY SLUGGED SCI ANCIENT TOOLS BY JOHN NOBLE WILFORD. ALL OTHER USE PROHIBITED.
In an undated handout photo, the inside of a Pinnacle Point excavation site in South Africa. Hunting tools from 71,000 years ago found in South Africa suggest modern humans with a well-developed capacity for abstract and creative thought and a grasp of complex technologies, a new study argues. (Erich Fisher via The New York Times) -- NO SALES; FOR EDITORIAL USE ONLY WITH STORY SLUGGED SCI ANCIENT TOOLS BY JOHN NOBLE WILFORD. ALL OTHER USE PROHIBITED.
Um dos autores, Curtis W. Marean, diretor de pesquisa e paleoantropologia do Instituto de Origens Humanas na Universidade Estadual do Arizona afirmou que "todas as vezes que escavamos um novo sítio arqueológico na África do Sul com a ajuda de técnicas avançadas de campo, descobrimos novos e surpreendentes resultados que tornam ainda mais antigas as evidências de comportamentos tipicamente humanos".
O principal autor do estudo foi Kyle S. Brown, especialista em ferramentas de pedra antigas associado à Universidade da Cidade do Cabo. Investigações iniciais mostram que a tecnologia dos micrólitos apareceu durante um curto período de tempo entre 65.000 e 60.000 anos atrás, desaparecendo logo em seguida. Essas finas lâminas só seriam encontradas em abundância em sítios arqueológicos de 20.000 anos.
Marean afirmou em entrevista por telefone que, ainda que alguns arqueólogos estejam céticos em relação ao papel africano no desenvolvimento dos comportamentos humanos modernos, há poucas evidências que apoiem a ideia de uma "explosão criativa" eurocêntrica, um conceito nascido a partir da descoberta de formas de arte rupestre e ferramentas complexas em sítios europeus do período paleolítico, comuns após a chegada dos humanos modernos à Europa.
"Noventa por cento dos cientistas sentem-se confortáveis com a ideia de que o ser humano moderno e a cognição humana tenham se desenvolvido na África", afirmou Marean. "Agora o assunto é diferente. Queremos saber se esses comportamentos surgiram antes de 71.000 anos atrás. O processo foi paulatino ou um evento abrupto? Essas pessoas já possuíam linguagem?"
Assim como muitos outros arqueólogos, Marean e sua equipe concentraram as investigações em cavernas e abrigos de pedra voltados para o Oceano Índico. Durante a era do gelo global que começou há 72.000 anos, muitos africanos deixaram o árido interior do continente em busca do litoral mais ao sul. Acesso a frutos do mar, plantas mais abundantes e recursos animais podem ter contribuído para o aumento das populações, encorajando o surgimento de avanços tecnológicos, afirmou Marean.
Os artefatos bem preservados em Pinnacle Point, coletados ao longo dos últimos 18 meses, levaram os pesquisadores a concluir que as tecnologias avançadas eram "precoces e duradouras na África". Outros arqueólogos que chegaram a diferentes conclusões podem ter sido enganados pela "pequena quantidade de sítios escavados", afirmam.
Richard G. Klein, paleoantropólogo da Universidade de Stanford que acredita em um surgimento mais repentino e recente do comportamento humano moderno há cerca de 50.000 anos, questionou a confiabilidade dos métodos de datação das ferramentas, destacando que "outra equipe já argumentou em favor de um período muito mais longo" para o surgimento da fabricação de ferramentas.
Segundo um e-mail enviado por Klein, "assim como muitos outros, o novo estudo demonstra que as evidências arqueológicas da origem do comportamento humano são controversas".
A hipótese de uma origem africana para o comportamento e a cognição humana modernos tem ganhado força ao longo dos últimos 10 ou 20 anos. Duas arqueólogas, Alison S. Brooks, da Universidade George Washington, e Sally McBrearty, da Universidade de Connecticut, foram as primeiras a publicarem análises do aumento de evidências de formas de arte e ornamentação que expressam a capacidade moderna de cognição e pensamento simbólico.
Em um comentário publicado junto ao artigo da Nature, McBrearty – que não participou da pesquisa – afirmou acreditar que a "capacidade cognitiva moderna tenha surgido junto com a anatomia moderna, e que vários aspectos da cultura humana surgiram gradualmente" ao longo dos milênios subsequentes.
McBrearty apoia cautelosamente a nova pesquisa realizada em Pinnacle Point, ligando o surgimento de tecnologias complexas à evolução do comportamento moderno na África. Segundo dela, as descobertas "ajudam a comprovar essa hipótese".

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